terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Rememorando e festejando o tempero da vida

 TEMPERO CULTURAL


            Tudo começou com um convite irrecusável – assistir ao belíssimo documentário de Estamira num resto de sábado.   Na aconchegante garagem da casa de Yone e Prego, olhos grudados na tela, parecíamos hipnotizados, realmente estacionados, tal o nosso encantamento pela sabedoria, singeleza e sensibilidade da personagem principal.
             Estamira, grande filósofa! Impossível sair intocado após ouvi-la. Impossível não se ater ao imprescindível valor da vida após refletir suas profundas palavras. Impossível não encarar o lado “invisível” do homem, seu avesso - fragilidade, medos e contradições.
             Esta mira... Mirando-a, miramos também a nós mesmos. Mirando-a, refletimos na beleza dos restos e no seu devido valor. Restos... “lixo ou descuido”? Urge buscar um sentido para eles. Tal como Estamira, salvá-los do lixão. Quiçá, recriá-los.
            Um segundo encontro se deu, e a transformação aconteceu.  O que era um resto de sábado, talvez “improdutivo”, foi transformado num bom Tempero, bem produtivo. Tempero desejado para realçar sabores, aguçar gostos, promover e festejar encontros, celebrar a vida.
            Abrir-se à singularidade! Esta é a proposta central do Tempero Cultural. Em cada encontro uma faceta humana é ressaltada, sempre temperada com a psicanálise. Culinária, fotografia, poesia, música, caixas, colares, bordados, filme, velas... São algumas das várias expressões da nossa arte já saboreadas no Tempero.
            Arte e Psicanálise! Ambas vão ao âmago do sujeito, às suas entranhas e possibilitam sua re-criação.       Vale aqui lembrar o nosso mestre Getúlio, exímio psicanalista, quando diz que “a Psicanálise tem algo da arte, porque o sujeito tem que se recriar e a criação está na arte”.
            Dezembro... Resto de ano... Outra vez as portas da casa de Yone e Prego se abrem para receber, acolher, partilhar. Um novo Tempero Cultural acontece. Agora para rememorar e festejar. Celebrar a vida da mãe do Tempero, amante da psicanálise, “instigadora de sonhos”, Grande Yone!!!  Celebrar, também, a vida do pai do Tempero, artista das lentes, captador da alma, Grande Preggo!!!
            Que seja um encontro iluminado e aquecido com a chama do desejo de outros mais!
Paula Frassineth de Carvalho Magalhães

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