terça-feira, 24 de janeiro de 2012

TEMPERO CULTURAL 2012

O TEMPERO CULTURAL VOLTANDO EM MARÇO COM MUITA MÚSICA,COMIDA,ENCONTROS E REENCONTRO AGUARDEM!!!!!!

ÚLTIMO TEMPERO DO ANO DE 2011

No último tempero,tivemos uma noite linda de encontros e reencontros regado a um bom som,comidas e bebidas.E fechando a noite comemoramos o aniversário dos queridos  Yonne e Preggo.











TEMPERO NO CINEMA


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ESTAMIRA

Por Paula Frassineth Carvalho Magalhães


     Psicose, pobreza e velhice. “Lixos” que se contrapõem ao “luxo” ilusório de normalidade, fartura e juventude, fantasiado pela sociedade.
     O filme mostra o invisível da psicose, que se torna visível a partir da fala de Estamira. Fala, condição exigida por ela em troca de se deixar fotografar pelo diretor desta produção cinematográfica, realizada no Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, Rio de Janeiro. Assim começa o resgate da história de vida dessa mulher de sessenta e três anos que tem no lixão uma profissão que lhe dá prazer, uma identificação com o resto produtivo e improdutivo e um espaço onde é escutada e respeitada. E, é ali, em meio aos seus constantes delírios que ela se faz sujeito.
     Esta (que) Mira, a partir da sua fala, o des-cuido do outro que não sabe cuidar, proteger e economizar as coisas, jogando-as no depósito de restos; a ausência de sentimentos dos trocadilos, aqueles que a enganaram, trocaram-na por outras e a jogaram no lixão. É assim que mira a sua vida: uma seqüência ininterrupta de situações trocadas, contrárias e avessas. Coisas mais intratáveis que os restos com os quais convive e transforma.
     Esta mira também o controle que precisou e precisa manter para transbordar o menos possível, tornando-se assim visível aos olhos do Outro.
     A loucura foi a forma encontrada por Estamira para inventar uma nova vida, livre, enfim, do sofrimento advindo do Outro.

Rememorando e festejando o tempero da vida

 TEMPERO CULTURAL


            Tudo começou com um convite irrecusável – assistir ao belíssimo documentário de Estamira num resto de sábado.   Na aconchegante garagem da casa de Yone e Prego, olhos grudados na tela, parecíamos hipnotizados, realmente estacionados, tal o nosso encantamento pela sabedoria, singeleza e sensibilidade da personagem principal.
             Estamira, grande filósofa! Impossível sair intocado após ouvi-la. Impossível não se ater ao imprescindível valor da vida após refletir suas profundas palavras. Impossível não encarar o lado “invisível” do homem, seu avesso - fragilidade, medos e contradições.
             Esta mira... Mirando-a, miramos também a nós mesmos. Mirando-a, refletimos na beleza dos restos e no seu devido valor. Restos... “lixo ou descuido”? Urge buscar um sentido para eles. Tal como Estamira, salvá-los do lixão. Quiçá, recriá-los.
            Um segundo encontro se deu, e a transformação aconteceu.  O que era um resto de sábado, talvez “improdutivo”, foi transformado num bom Tempero, bem produtivo. Tempero desejado para realçar sabores, aguçar gostos, promover e festejar encontros, celebrar a vida.
            Abrir-se à singularidade! Esta é a proposta central do Tempero Cultural. Em cada encontro uma faceta humana é ressaltada, sempre temperada com a psicanálise. Culinária, fotografia, poesia, música, caixas, colares, bordados, filme, velas... São algumas das várias expressões da nossa arte já saboreadas no Tempero.
            Arte e Psicanálise! Ambas vão ao âmago do sujeito, às suas entranhas e possibilitam sua re-criação.       Vale aqui lembrar o nosso mestre Getúlio, exímio psicanalista, quando diz que “a Psicanálise tem algo da arte, porque o sujeito tem que se recriar e a criação está na arte”.
            Dezembro... Resto de ano... Outra vez as portas da casa de Yone e Prego se abrem para receber, acolher, partilhar. Um novo Tempero Cultural acontece. Agora para rememorar e festejar. Celebrar a vida da mãe do Tempero, amante da psicanálise, “instigadora de sonhos”, Grande Yone!!!  Celebrar, também, a vida do pai do Tempero, artista das lentes, captador da alma, Grande Preggo!!!
            Que seja um encontro iluminado e aquecido com a chama do desejo de outros mais!
Paula Frassineth de Carvalho Magalhães