terça-feira, 14 de agosto de 2012
A gosto
O que mais gosto nas receitas, sejam quais forem, é o a gosto.
O a gosto liberta o nosso jeito de temperar os pratos e de temperar a vida
Mas, saibam vocês, que o a gosto não é algo simplesinho, não.
É a implicação do sujeito com o seu gosto, seu desejo, com aquilo que o move, consciente ou não.
A nossa vida, as consequências das nossas ações e das ações do outros sobre nós é tudo coisa do nosso gosto. Assim, todas às vezes fazemos algo ou nos submetemos ao gosto do outro, que o que está em jogo é o próprio gosto e, muitas vezes, para nosso espanto, o nosso gosto é também nosso desgosto! Como sair desse enrosco?
Não há uma receita, mas há uma possibilidade: dizer palavras que revelem o nosso gosto e também nosso desgosto. Isso que em nós está posto e nos faz ser quem somos, com ou sem gosto.
Temperar um prato, temperar a vida usando ingredientes a gosto nos faz correr o risco de nos responsabilizarmos pelo resultado, não podemos colocar a culpa na receita, aliás, não podemos nunca, pois se seguirmos a receita à risca foi por nosso gosto.
Estão vendo, não escapamos do nosso desejo, que hoje, dada as circunstâncias, eu estou chamando de gosto e dizendo que as palavras libertam esse gosto, que faz a vida mais leve, fazendo-nos viver com mais gosto, seja em junho, julho, setembro... ou agosto!
Yara Amorim Souza Leão
Psicanalista/ Professora da Universidade Federal de Alagoas
Maceió, 11/08/2012
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